Alergias

20/03/2019   Alergias e Imunidade

A primavera é a altura do ano em que a natureza volta a renascer com cores, perfumes e sons de vida. Com toda esta festa de vida, vêm os pólens e outras fontes de alergias que fazem desta época bonita do ano, um pesadelo para alguns.

Espirros, corrimento nasal e perda de olfato caracterizam o que se chama de rinite alérgica e inflamação do olho, lacrimejo e comichão o que se designa por conjuntivite alérgica. Mas porque algumas pessoas têm estas reações? E é para toda a vida?

Estas reações são desequilíbrios imunológicos em que as nossas defesas têm reações exageradas perante substâncias externas relativamente inofensivas. Na verdade, a muitas vezes são reações psiconeuroimunológicas pois o sistema imunológico raramente atua sozinho, mas em resposta a eventos importantes que vivemos e memorizados.

Já reparou que cada vez mais pessoas têm alergias? 

Qualquer dia será impossível vivermos com plantas e animais pois seremos todos alérgicos! A culpa é do pólen, ácaros e pelos de animais? Claro que não. Já existem há milhões de anos e já lidamos com estas partículas à igual tempo. Já viu leões e ursos com rinite alérgica? Seria impossível comerem na primavera se sofressem deste mal. E nós, humanos, como caçaríamos à milhares de anos atrás se sofrêssemos de rinite alérgica?! Seria no mínimo cómico sermos denunciados por um espirro. Estamos a perder a capacidade de adaptação pois cada vez vivemos mais vidas pouco humanas, em cavernas modernas (prédios), sem luz natural, construído com materiais sintéticos, comemos comida processada, abusamos de medicamentos, etc. 

 

Para recuperar a nossa capacidade de lidar com estas partículas alergénicas é preciso várias coisas simples. Primeiro recuperar o balanço intestinal com as bactérias corretas que nos “ensinam” a não ter reações alérgicas, não abusar de alimentos irritantes do sistema imunológico para ele não ficar furioso e aumentar a reserva de nutrientes que eram abundantes na pré-história e que agora infelizmente mal os cheiramos.

 

 

Que nutrientes ingerimos menos que os nossos antepassados? 

Existem vários, mas os dois principais são a vitamina C e a Quercitina. Os nossos antepassados ingeriam muito mais do que nós atualmente. Estima-se que ingeriam aproximadamente 600mg por dia contra as atuais 60 mg recomendadas. A Vitamina C tem ação anti-histamínica (entre muitas outras funções) ajudando a controlar este tipo de reações imunológicas. Níveis adequados acima de 600 mg por dia ajudam a diminuir a sensibilidade a alergénicos a médio prazo.

A Quercitina é um flavonoide (tipo de antioxidante) que tem ação anti-histamínica muito mais interessante que a vitamina C e diminui em poucas horas as reações alérgicas em qualquer efeito adverso. Os nossos antepassados ingeriam imensa quantidade pois ela está presente em verduras e frutas e ausente em cereais, lacticínios e carne, a base da maioria das pessoas que vive nas cidades.

 

Para além de ser necessário reeducar o sistema imunológico a partir do intestino, aumentar a ingestão de nutrientes escassos na dieta atual e retirar os irritantes alimentares, é por vezes preciso uma intervenção mente-corpo, ou seja psiconeuroimunológica, para cessar de vez estas reações. O cérebro memoriza todos os detalhes presentes num determinado evento vivido em hiperstress podendo associa-los entre si. Quando um desses detalhes reaparece ele ativa esse “ficheiro” mental e desencadeia as reações. 

 

As alergias não têm de ser para toda a vida. A primeira pessoa que eu tratei foi a mim próprio, teria eu 26 ou 27 anos. Os testes deram que seria alérgico a ácaros, pólen e pelos de gatos. De facto, era impossível na altura entrar numa biblioteca. Passado alguns meses, limpava o pó, lia livros antigos cheios de pó e nunca mais tive qualquer reação. Já tive êxito com muitas outras pessoas, tanto na rinite alérgica, conjuntivite alérgica, urticária ou asma alérgica. Não somos todos iguais e não há receitas de bolo aplicáveis a todos de forma igual, mas estas são as bases para termos êxito.