Canção dos Homens

24/03/2018   Bem-estar

O modo de atuar deste povo é uma lição para todos nós, sempre prontos a acusar e condenar quem erra ou age de forma errada. Acredito muito nesta interpretação do ser humano e procuro sempre me reger pela regra que somos todos naturalmente bons, que o egocentrismo, ódio, cobiça, inveja, medo exagerado, maldade são transtornos ou doenças. E que não devemos retribuir nunca na mesma moeda pois deixaremos a doença entrar dentro do nosso corpo.

Quando uma mulher de certa tribo Africana sabe que esta grávida, ela vai para a selva com outras mulheres e juntas rezam e meditam até que aparece a canção do bebé. Sabem que cada alma tem a sua própria vibração que expressa a sua particularidade, unicidade e propósito.

 

As mulheres entoam a canção e cantam em voz alta. Logo voltam a tribo e a ensinam a todos. Quando nasce o bebé, a comunidade junta-se e lhe cantam a sua canção.

 

Quando a criança começa a sua educação, o povo junta-se e canta a sua canção. Quando inicia a fase adulta, todos se juntam novamente e cantam. Quando chega o momento do seu casamento, a pessoa escuta a sua canção. Finalmente, quando a alma está para partir deste mundo, a família e amigos aproximam-se da cama e tal como no seu nascimento, cantam a sua canção para acompanha-lo na transição.

 

Nesta tribo Africana há outra ocasião em que as pessoas cantam a canção. Se em algum momento durante a sua vida a pessoa comete um crime ou um ato social aberrante, ele é levado ao centro do povoado e as pessoas da comunidade formam um circulo à sua volta. Então cantam a sua canção. A tribo reconhece que a correção para as condutas antissociais não é o castigo, mas o amor e o relembrar da sua verdadeira identidade.

 

Quando reconhecemos a nossa própria canção já não temos desejos nem necessidade de fazer nada que possa magoar os outros. Os teus amigos conhecem a tua canção e cantam quando a esqueces. Aqueles que te amam não podem ser enganados pelos erros que cometes ou pelas imagens escuras que mostras aos outros. Eles recordam a tua beleza quando te sentes feio, a tua totalidade quando estás quebrado, a tua inocência quando te sentes culpado e o teu propósito quando estas confuso.

 

Tolba Phanem (poeta africana e lutadora dos direitos civis das mulheres)